Ellus, Juliana Jabour, Alexandre Herchcovitch, Giulia Borges, Fórum Tufi Duek, Auslander, Reinaldo Lourenço, Redley, Coven, Espaço Fashion, Printing e Têca
Estamos, acreditem, em era difíceis onde o estilo fica cada vez mais pessoal e a moda, como produto e informação, se pluraliza cada vez mais. Aqui no Brasil, para o próximo inverno, temos de um lado um Fashion Rio fraco, com propostas arrastadas que ainda beiram a temática dos anos 80 e ainda se utiliza de elementos da década para desenvolver suas visões futuras.
Do outro lado temos São Paulo que se mostra mais adiantes nas idéias e enxertando, mesmo que sutilmente, um anos 90 mais clean, mais limpo de excessos, mais puro. Mas ainda que partindo de linhas quase opostas existem elementos que se combinam entre si e é a partir daí que se pode fazer uma análise (mesmo que pseudo) parcial.
Comecemos pelas formas, mais soltas nessa temporada elas deixam de ser fluidas e ganham rigidez seja com material usado nas peças (couro, tricô), seja por armações nas suas construções. As mangas, nessa temporada ganham atenção especial e são trabalhadas, com formas variadas, aplique de correntes, tachas, brilhosas, quadradas elas são feitas para chamar a atenção. E chamam mesmo, até a manga presunto dá uma pinta nesse inverno em vestidos mais curtos.
E falando em comprimento, ás vezes parece que nem é inverno e a ordem é colocar as pernas de fora, em vestidos míni, com meias dos mais variados materiais contanto que colorida (as de látex de Juliana Jabour que o diga).
O tricô ganha brilho em sua trama e o lurex moderniza looks com a técnica. É na verdade a temporada do fio que ficou famoso nos anos 70 e que transforma fácil regatas básicas em peças que vão à noite. Nessa temporada aliado ao lurex estão as texturas com pêlos e há bons caminhos, quando aparecem, em tecidos como veludo, lã fria e o prório ticô que despenteado forma uma textura tipo pelúcia. Os melhores momentos do tricô está nas idéias da Coven e na execução de Lucas Nascimento que estreou no Fashion Rio com propostas confusas porém mostrando ser um conhecedor na área.
E falando de brilho, fala-se também de bordados, que dessa vez acontecem profusos em forma de spikes (Animale), tachas (Auslander), paetizados (Jefferson Kulig), correntes e adornos de metal (Cantão) e pedraria (Alexandre Herchcovitch). Eles humanizam looks que batem de frente com a estética futurista que dá o ar de sua graça em algumas marcas mas não emplaca. O handmade ganha espaço mais uma vez e a hora é de brilhar.
Tachas e spikes aparecem numa estética mais punk no jeanswear em lavagem escura onde os melhores momentos acontecem na tecnologia da Ellus, que através de uma resina dá ao tecido um aspecto de couro, ficou incrível e já nasce hit dessa temporada. As boas tentativas de patch de lavagens da Cantão brincando com claro/escuro de um mesmo tom de azul que viram blocos geométricos e até arebescos de inspiração árabe e as boas peças feitas de tiras do tecido desfiladas pela Animale.
Um fato curioso: ainda que há calças do tipo skinny, o bacana, parece, é usar as peças mais soltas, jeanswear com cara 90's e me arrisco a prever o provável início de um retorno da matemática calça jeans + camiseta. Há uma estética do sexo como provocação no uso de elementos de lingerie como o silicone, os recortes, as transparências, os acetinados que remetem á um pornô chic á la Helmut Newton. Nesse quesito Alexandre Herchcovitch mostrou seu talento e sua perspicácia como trabalho de corpo na ótima coleção para a Rosa Chá.
Em confronto a esse espírito libertário acontecem fagulhas do estilo militar. Mais austero e correto ele passeia pela alfaiataria com casacos de ombros sérios, elementos da farda desconstruídos ou em releituras e bolsos, muitos bolsos num retorno claro do utilitário. As cores acompanham o militarismo e o nude evolui para os terrosos e tons típicos de inverno como areia, bege, marro, vinho culminando no verde militar.
O lance agora é deixar ponto de cores para acessórios, meias ou sapatos. Nessa temporada também vimos muitas marcas apostando muito na tecnologia. Algumas mais safas, outras ainda inexperiente vimos látex, silicone, chamois, náilon em novas estéticas. O neoprene emprestado do surfwear ganha ares street nessa temporada e sua rigidez proporciona novos volumes. Valeu a pena, marcas como a Redley conseguiram ótimos resultados em suas pesquisas tecnológicas e seus recortes anatômicos. Aliás, os recortes acontecem com tudo se formando através do retalhamento das peças eles mixam tecidos e texturas diferentes além de aderir um ar esporte ás peças.
Entre uma cartela de apostas diversas fica difícil, e cada vez mais démodé, apontar uma direção certa. Hoje em dia é sabido que o estilo é mais importante do que o termo moda. E estilo é aquela velha história, cada um tem o seu. Creio que fiz o que me cabia ao enumerar elementos que mais aconteceram e se fortificaram desfile após desfile. Análises mais profundas acabam sendo irrelevantes numa época como essa onde cada um cuida do seu cada um.
As escolhas do Ask:
- Alexandre Herchcovitch (feminino e masculino)
- Reserva
- Neon
- Fórum Tufi Duek
- Patachou
- Reinaldo Lourenço
- Giulia Borges
- Juliana Jabour
- Maria Bonita
- Redley
Por André Chaves